segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Continuação:

Malatesta volta a Nápoles em 1878 e é constantemente vigiado pela polícia. Gasta sua herança em propaganda. Parte por um tempo para o Egito. Lá, o cônsul italiano o expulsa para Beirute, o de Beirute o envia para Esmirna. A bordo de um navio francês, torna-se amigo do capitão, que o conserva no navio até a Itália. Em Livorno, a polícia quer prendê-lo, mas o capitão se recusa a entregá-lo. Finalmente, Malatesta desce para Marselha e, dali, vai para Genebra onde ajuda Kropotkin a publicar Le Revolté. Expulso, dirige-se à Romênia, em seguida, à França (1879). De novo expulso, vai para a Bélgica, depois para Londres. Fixa-se, enfim, em Londres, onde trabalha como vendedor de sorvetes e de bombons antes de abrir uma nova oficina mecânica.
Empreende várias viagens clandestinas à França, Bélgica, Espanha, Itália. Incógnito na Itália polemiza com Merlino em L’Agitazione, em conseqüência da passagem deste ao parlamentarismo. Graças a isso Merlino não é seguido por quase nenhum anarquista italiano. Malatesta ataca os individualistas e os marxistas, o esponteneísmo de Kropotkin, insiste “sobre a necessidade de organizar o anarquismo em partido e propaga, pela primeira vez na Itália, o método sindical e a ação direta operária”. O jornal era apreciado mesmo por seus adversários. Preso de novo por agitações sociais é enviado para a prisão da ilha de Nistica, depois para a de Lampedusa. Foge com dois camaradas em 1899, alcança Malta, Londres, em seguida Paterson nos Estados Unidos. Lá, dá continuidade à publicação do jornal La Questione Sociale. Profere conferências, redige Il nostro programma, vai a Cuba e retorna a Londres (1900). Retoma sua oficina mecânica (e de eletricidade) no bairro de Islingston. Publica vários jornais: L’Internazionale, Lo Schiopero Generale, etc. Participa do Congresso Internacional de Amsterdã, em 1907, onde se opõe a Monatte sobre a questão sindicalista.


Em 1913, vai à Itália, encontra-se com Mussolini, diretor do jornal Avanti (jornal operário mais importante). Acalma as querelas pessoais entre os anarquistas, entra em contato com as outras organizações revolucionárias, faz conferências, encoraja os sindicalistas (1914).


Em Ancona, durante as manifestações antimilitaristas das quais participava Malatesta, a polícia dispara, o povo se apodera da cidade. Os sindicatos decretam a greve geral. É a “semana vermelha”. Porém, o exército intervém. Mussolini apóia o movimento em palavra, mas nada faz. Malatesta foge não sem declarar: “Continuaremos a preparar a revolução libertadora que deverá assegurar a todos a justiça, a liberdade e o bem-estar”.
Volta uma vez mais para Londres onde critica, entre outros, Kropotkin, por ter se manifestado a favor da guerra. Em 1919, regressa uma vez mais à Itália, onde é recebido em Gênova por uma multidão. Inicia uma série de conferências sobre a necessidade da revolução. O jornal tradicional italiano Corriere de la Sera, a 20 de janeiro de 1920, retrata-o como se segue: O anarquista Malatesta é hoje uma das maiores personagens da vida italiana. As multidões das cidades correm a seu encontro, e só não lhe entregam as chaves das portas, como era o costume outrora, unicamente porque não há mais chaves nas portas.


Inicia, então, negociações com os socialistas para fazer a revolução. A polícia tenta provocar desordens e assassina-lo. Apesar dos obstáculos legais, Umanità Nova, jornal de Malatesta, tem uma tiragem inicial de 50.000 exemplares. Impulsiona a União Sindicalista Italiana (U.S.I.) de influência anarquista.


Em 1920, em Ancona, eclode uma insurreição e as fábricas são ocupadas. Mas, o movimento é traído pela atitude dos social-democratas da C.G.T. que devolvem as fábricas.


Após um encontro anarquista na cidade de Bolonha, em que Malatesta toma a palavra, eclodem incidentes, há vítimas e feridos do lado dos operários e da polícia. Malatesta e equipe do Umanità Nova são presos. Os protestos se multiplicam, ocorrem atentados fascistas.
O fascismo, financiado pela burguesia, ajudado pelo governo, avança. Em contrapartida, Malatesta favorece a formação dos grupos armados.


Em julho de 1922, a greve geral é proclamada pela Aliança do Trabalho (união de diversos sindicatos sobre o impulso de Malatesta), mas o fascismo a dizima pela força. Em seguida, em outubro, acontece a “marcha sobre Roma”, e a sobre a praça Cavour os fascistas queimam um retrato de Malatesta. Umanitá Nova é proibido. Malatesta, aos sessenta e nove anos, retoma sua profissão de eletricista. A polícia o vigia em todos os seus movimentos.


Em 1924, surge Pensiero e Volontà. O fascismo, em seu começo, permite a liberdade de imprensa, mas a censura se faz cada vez mais severa até a proibição da revista em 1926. A oficina de malatesta é destruída pelos fascistas. É obrigado a sobreviver da ajuda dos camaradas, assim como sua companheira, Elena Mulli e a filha desta última, Gemma.


Sua saúde se debilita. Ele consegue enviar artigos para Le Réveil de Genebra e L’Adunata Del Refratari de Nova Iorque. Os ataques brônquio-pulmonares se sucedem. Malatesta morre em 22 de julho de 1932.

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